Archive for Agosto 4th, 2008
Filhos do Mar
Hoje vou falar de uma outra empreitada com minha amiga e companheira de projetos (Bruna Prado). Essa foi bem interessante, pois foi em uma sexta-feira, véspera de carnaval, eu sem um centavo pra viajar.
Ja estava conformado com o fato de ficar no Rio e curtir um carnaval de tédio, até que ela me ligou e propôs um exercício bem interessante: deveríamos ir ao mercado de peixes de Niterói, e fotografarmos o cotidiano dos vendedores, consumidores e cenas interessantes que víssemos usando apenas uma câmera de filme e uma lente fixa de 50mm. Aceitei o desafio, e na sexta, por volta das 10hs da manhã, lá estávamos.
De cara foi engraçado, por que quebramos as regras na cara de pau: ela não levou a câmera analógica, pois não havia comprado filme. Eu levei uma lente zoom que eu havia comprado fazia pouco tempo e que nunca havia testado com filmes. Sem se importar muito com isso, começamos a “brincadeira”.
Meu maior desafio lá, era vencer minha timidez. Eu não podia simplesmente sair clicando, por que isso poderia desagradar os vendedores e consumidores do local. E esse era um dos meu objetivos: desenvolver o “approach”. No inicio, fiquei meio que “na aba” da Bruna, mas aos poucos fui me soltando, e aí que a experiência começou a valer a pena.
Uma das coisas que mais me tem sido recompensadoras na fotografia, é o envolvimento que a gente acaba criando com o assunto, quando se trata de pessoas. E acaba que isso facilita na hora de conseguir um bom resultado, pois assim quebramos barreiras entre nós e nossos assuntos, o que muitas vezes contribui para a criação de uma atmosfera nada natural. Em poucos minutos, estávamos dentro de um dos boxes do mercado, a convite do próprio vendedor. Foi aí que começamos a ver o comércio com outros olhos.
Percebemos condições de trabalho que não eram satisfatórias aos funcionários. Alguns, achando que éramos repórteres, vieram nos falar dos salários atrasados, da falta de direitos trabalhistas, das grandes jornadas… E até explicar que focinho de porco não é tomada, ouvimos muito além do que gostaríamos. Mas o mais facinante, foi a simplicidade daquele pessoal. A forma como nos trataram bem, mesmo estando insatisfeitos com o trabalho, a simpatia, a alegria.
Foi tão recompensador que eu e Bruna estamos trabalhando em um projeto pra fazer em breve, uma exposição com as fotos que fizemos no local. A coisa ainda está no esqueleto, mas esperamos concluir isso em breve.



