50mm f/1.8

Minhas experiências como um mero iniciante na arte da Fotografia

Fotografar no Rio de Janeiro

com um comentário

Uma sonolenta senhora e seu cão vigilante - Botafogo

Uma sonolenta senhora e seu cão vigilante - Botafogo

Quando comecei a fotografar pra valer, houve uma ocasião de uma saída fotográfica de um fórum que eu participava, onde nós resolvemos fotografar cenas cotidianas de alguns bairros da zona sul do Rio (simplesmente street photography). Foi umas das experiências mais enriquecedoras que eu ja tive,  pois na ocasião, tive meu primeiro contato com a fotografia em película de 35mm que é minha maior paixão na arte fotográfica, além do contato com alguns fotógrafos com quem aprendi muita coisa boa. Nesta ocasião eu estava com uma minha primeira câmera decente, uma Sony H-1 que me deu muitas alegrias, mas que ja não possuo mais.

O trajeto que planejamos, consistia em irmos do bairro do Catete até a Urca, fotografando tudo que fosse interessante aos nossos olhos. É muito bom rever essas fotos, por que eu vejo os erros técnico que cometia naquela época, mas percebo que minha identidade não mudou muito. O que me era interessante antes, continua sendo, mas percebo que tecnicamente estou melhor. Minha edição melhorou bastante também. Creio que se fizesse esse trabalho novamente hoje, minhas fotos ficaríam bem melhores.

O que me chateia é que hoje não sei se eu faria novamente esse trajeto devido a periculosidade do mesmo. É estranho pensar nisso agora, mas nós passamos por 3 cenas de assalto em apenas 2 horas de caminhada. E é isso que mais me aborrece hoje em dia. Eu gostaria de poder sair e fotografar novamente, mas me falta coragem.

O velho bate-papo de esquina - Praia de Botafogo.

Não posso dizer que nunca mais farei isso, mas certamente, por um bom tempo não poderei fazer uma grande quantidade de fotos de uma só vez como fiz naquele 19 de agosto. Isso devido ao fato de que tirar uma câmera da mochila pode significar assalto ou coisa muito pior, como cansa de ser noticiado nos jornais. Muitas vezes, sinto uma pontadinha de inveja de pessoas que postam nos flickr’s e blogs fotos de suas cidades. Uma inveja saudável, se é que existe isso, mas realmente é chato não termos coragem de fazer isso na nossa cidade-lar. Dessa forma, só me resta fazer minhas fotos urbanas em outras cidades, que na maioria das vezes não possuem metade da beleza do Rio de Janeiro, mas certamente são mais seguras.

"Walking Alone"

"Walking Alone" - Botafogo

Cristo Redentor visto da Urca

Cristo Redentor visto da Urca

Brincadeira de Criança - Botafogo

Brincadeira de Criança - Botafogo

Nocauteado pela vida - Urca

Nocauteado pela vida - Urca

Triste? - Catete

Triste? - Catete

Brincando no lugar errado - Botafogo

Brincando no lugar errado - Botafogo

Agora, fica a pergunta: até quando seremos privados de fazer o que gostamos por conta da nossa falta de atitude com nossos governantes?

Escrito por leandrodeoliveira

29 outubro, 2008 em 2:56 am

Filhos do Mar

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Fujifilm Superia 400

Fujifilm Superia 400

Hoje vou falar de uma outra empreitada com minha amiga e companheira de projetos (Bruna Prado). Essa foi bem interessante, pois foi em uma sexta-feira, véspera de carnaval, eu sem um centavo pra viajar.

Ja estava conformado com o fato de ficar no Rio e curtir um carnaval de tédio, até que ela me ligou e propôs um exercício bem interessante: deveríamos ir ao mercado de peixes de Niterói, e fotografarmos o cotidiano dos vendedores, consumidores e cenas interessantes que víssemos usando apenas uma câmera de filme e uma lente fixa de 50mm. Aceitei o desafio, e na sexta, por volta das 10hs da manhã, lá estávamos.

De cara foi engraçado, por que quebramos as regras na cara de pau: ela não levou a câmera analógica, pois não havia comprado filme. Eu levei uma lente zoom que eu havia comprado fazia pouco tempo e que nunca havia testado com filmes. Sem se importar muito com isso, começamos a “brincadeira”.

Meu maior desafio lá, era vencer minha timidez. Eu não podia simplesmente sair clicando, por que isso poderia desagradar os vendedores e consumidores do local. E esse era um dos meu objetivos: desenvolver o “approach”. No inicio, fiquei meio que “na aba” da Bruna, mas aos poucos fui me soltando, e aí que a experiência começou a valer a pena.

Uma das coisas que mais me tem sido recompensadoras na fotografia, é o envolvimento que a gente acaba criando com o assunto, quando se trata de pessoas. E acaba que isso facilita na hora de conseguir um bom resultado, pois assim quebramos barreiras entre nós e nossos assuntos, o que muitas vezes contribui para a criação de uma atmosfera nada natural. Em poucos minutos, estávamos dentro de um dos boxes do mercado, a convite do próprio vendedor. Foi aí que começamos a ver o comércio com outros olhos.

Percebemos condições de trabalho que não eram satisfatórias aos funcionários. Alguns, achando que éramos repórteres, vieram nos falar dos salários atrasados, da falta de direitos trabalhistas, das grandes jornadas… E até explicar que focinho de porco não é tomada, ouvimos muito além do que gostaríamos. Mas o mais facinante, foi a simplicidade daquele pessoal. A forma como nos trataram bem, mesmo estando insatisfeitos com o trabalho, a simpatia, a alegria.

Foi tão recompensador que eu e Bruna estamos trabalhando em um projeto pra fazer em breve, uma exposição com as fotos que fizemos no local. A coisa ainda está no esqueleto, mas esperamos concluir isso em breve.

Fujifilm Superia 400, convertido para P&B

Fujifilm Superia 400, convertido para P&B

Fuijifilm Superia 400

Fuijifilm Superia 400

Fujifilm Superia 400

Fujifilm Superia 400

Escrito por leandrodeoliveira

4 agosto, 2008 em 3:12 am

Um doce sorriso

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Captura digital, editada para simular o slide Provia 400

Captura digital, editada para simular o slide Provia 400F

Bom, meu primeiro post é sobre uma coisa que eu gostei muito de fazer, e que de certa forma pra mim, deu um novo rumo na minha estrada fotográfica.

Essa foto significa muita coisa pra mim. Nem de longe está entre as melhores que ja fiz, mas significa muito. Ela foi feita durante uma das sessões de fotos para uma exposição (Ballet de Portas Abertas, no Ballet de Santa Tereza – uma magnífica obra social), e neste dia em particular eu não estava muito inspirado.

O local não é o tipo de lugar que eu estou acostumado a fotografar. É um pequeno salão onde são ministradas aulas de ballet para crianças carentes, com uma luz ruim para equipamento limitado (que é meu caso, mas que atende muito bem às necessidades deles) e com um nº maior de alunos bem maior do que eu esperava. Eu estava passando por um momento difícil profissionalmente falando e nessas horas, algumas coisas passam realmente despercebidas. Eu estava realmente sem idéia do que eu estava fazendo ali. Da magnitude da obra. Das pessoas que estavam ao meu redor. Eu simplesmente estava clicando, sem estar realmente focado no assunto (trocadilhos à parte…), mas não havia percebido isso.

Daí cheguei em casa. Hora de ver as fotos no PC. É, pois no display da D50, tudo parece lindo e maravilhoso, mas eu sei que não era o caso. As fotos provavelmente estariam sub-expostas e eu teria de editar tudo no Capture NX, selecionar as melhores, o que no meu estado de espírito seria “tirar leite de pedra” apesar de todo o incentivo das pessoas que me apoiaram na realização deste trabalho. Daí me dei conta desse sorriso. Não apenas esse, mas muitos outros da turma do pré-ballet.

Essas crianças estavam felizes. Percebi que com um simples instrumento e com uma simples atitude de mostrar que naquele momento elas eram o centro das atenções, deixou-as felizes. E por incrível que pareça, as coisas parecem que foram clareando e eu percebi o bem que estávamos fazendo a elas, mostrando como o empenho e o esforço delas era importante. Claro, não para as pequenas, mas certamente para as maiores. Nas sessões seguintes pude perceber um maior empenho e até mesmo orgulho por parte delas.

Foi realmente recompensador ver que minhas fotos e de meus colegas estavam fazendo bem a elas. Foi mágico ver o brilho nos olhos de algumas delas, ao se verem nas fotos. Foi maravilhoso saber que tive parte nisso e que também tinha “culpa” por aqueles sorrisos. Por isso, pela bilionésima vez, agradeço a minha mentora fotográfica, Bruna Prado. Dona de um grande olhar e de um coração maior ainda, foi a grande responsável por tudo isso acontecer. Agradeço também, a Vânia Farias. Não por ter me autorizado a fotografar, mas por ser tão altruísta, e por me mostrar que vale a pena fazer o bem ao próximo.

Confiram:

http://www.bst.org.br/

http://www.flickr.com/photos/brunaprado/

Escrito por leandrodeoliveira

1 agosto, 2008 em 2:51 am

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